30 de março de 2013

É Páscoa. Passa bem! Meu poema para Domingo de Páscoa!





Eis a Páscoa do Senhor,
demos graças! Aleluia!
É a grande prova da força do Amor,
oportunidade de viver com alegria.

Eis a Páscoa do Senhor,
momento eterno de passagem,
reconhecida esperança,
verdadeira confiança,
na Vida eterna para o Homem...
Presente livre e oferecido
por Jesus sofrido, vivido.

Eis a Páscoa do Senhor!
Reflexo vivo de altíssimo Amor!
E o Amor não morre,
agora é bem mais certo...
Porque amar é estar perto,
tão perto que é dentro,
sem tempo, sem espaço...
É todo tempo, todo o espaço e todo o abraço
assim é Jesus Ressuscitado,
Amor, Presente, tão dentro... entranhado.

Eis a Páscoa do Senhor
que é também a nossa Páscoa.
Aleluia! Viva o Amor!
Passa bem esta Páscoa!



Pe. JAC

28 de março de 2013

Santa Ceia. Poema em Quinta-feira Santa




Santo Dia, aberto por Jesus
íntima comunhão à volta da mesa.
Todo inteiro Se dá, ó suma alegria,
pois sua medida sempre foi inteireza.

Eis que chega o tempo e bate a hora
de dar cumprimento ao anunciado,
Jesus, o Mestre, sem demora
mostra ser o Messias esperado.

Santa Ceia, divina refeição,
serviço, memória, salvação
de tudo se faz este santo dia...

À volta da mesa profunda união
que gera em mim total gratidão
por receber Jesus Eucaristia.



Pe. JAC

23 de março de 2013

Caminho Pascal: poema no Domingo de Ramos






Caminhamos para a Páscoa libertadora
Entre ramos de oliveira e cantos de vitória,
Porque é Jesus a fazer por nós o caminho
A lavar miséria humana com sangue divino.

Caminhamos contemplando a paixão
E a Ele unimos nosso coração.
É Nele que depositamos a confiança
E quem Nele confia vive com esperança.

Senhor Jesus, amante da humanidade
Que caminhas e carregas, lancinante,
O peso mortal, em bruto, da minha cruz...

Graças pelo amor e pela fidelidade
Que Te leva ao Calvário, triunfante,
Donde brilha para todos vida e luz!

Pe. JAC

21 de março de 2013

Poemas de amanhecer... (No dia mundial da Poesia)




No dia mundial da poesia agradeço aos poetas que me dão poemas em cada novo amanhecer...

Despregam-se palavras
Caídas com estrondo
Como pedras nas águas...

Solta-se o sentimento,
Emoção efervescente,
Ao sabor do vento.

Saem pedaços de vida
Em cada palavra escrita...
E na que fica por escrever
Se esconde e não se deixa ver
Que por traz de uma caneta
E de um papel branco
Vive, vivo, um coração ardente
Capaz de dizer a toda a gente:
A poesia é a arte de escrever
A vida surgida em cada novo amanhecer.



Pe. JAC

16 de março de 2013

Castelos onde reina o Amor. Poema no V domingo da Quaresma




No caminho de conversão
Não há meta, nem final...
É um contínuo caminhar,
Cair e sempre levantar...
Rumo ao único ideal:
Deus do Amor e do perdão.

Todos nos parecemos com a "mulher",
Pequenos grandes pecadores...
E bem precisamos de reconhecer
Que precisamos de ser melhores...
Não maiores que os outros
Mas melhores que nós próprios...

Não queiramos pedras para atirar,
Magoar, desprezar e diminuir...
Queiramos as pedras para guardar,
E como dizia o escritor,
Para castelos construir...
Castelos onde reina o Amor.


Pe. JAC

13 de março de 2013

Papa Francisco... Para já perplexidade e oração!






Depois da alegria e da euforia e até da surpresa da escolha que nos veio de Roma, num dia frio, eis que, com os meus botões, me ponho a pensar melhor (discernir) acerca da escolha dos cardeais.
O novo Papa da Igreja é o Cardeal Jorge Mario Bergoglio, Papa Francisco I, que nasceu em Buenos Aires, na Argentina, em 17 de dezembro de 1936. Tem 76 anos.
É o primeiro Papa jesuíta. Formou-se como técnico químico, mas depois escolheu a via do sacerdócio e entrou para o seminário de Vila Devoto. Em 11 de março de 1958, passou para o noviciado da Companhia de Jesus. Completou os estudos humanistas no Chile e em 1963, de volta a Buenos Aires, formou-se em Filosofia na Faculdade de Filosofia do colégio máximo São José de São Miguel.
De 1964 a 1965, ensinou literatura e psicologia no Colégio da Imaculada de Santa Fé e, em 1966, ensinou essas mesmas matérias no Colégio do Salvador, em Buenos Aires.
De 1967 a 1970 estudou teologia na Faculdade de Teologia do Colégio São José, de São Miguel, onde se formou.
Em 13 de dezembro de 1969 foi ordenado sacerdote.
Depois de tantas considerações acerca do perfil do novo Papa, que ouvimos de todos os quadrantes, de dentro e de fora da Igreja, que deveria ser escolhido alguém com o vigor e a vitalidade que, por idade e saúde, faltou a Bento XVI para conduzir a barca de Pedro, olhar para a escolha que os cardeais fizeram de um homem com 76 anos, deixa-me, no mínimo, perplexo...
Tão perplexo quanto ao facto de ser um argentino, o primeiro Papa que vem da América do Sul e também o primeiro jesuíta.
Tão perplexo quanto a escolha do nome inédito, Francisco...
Tão perplexo quanto a afamada simplicidade e bondade que o caracterizam...
Estou perplexo até porque já ouvi que alguns anos de Bergoglio conduzirão a profundas reformas e mudanças na Igreja...
Francisco I é o meu Papa porque creio que é Deus que assim o quer. E a vontade de Deus nem sempre é evidente diante de nós. Mas, que nos quer Deus dizer por meio desta escolha e deste Papa? Continuo a discernir...
Para já rezo por ele porque sei que ele já reza por nós.

Pe. JAC

9 de março de 2013

Um coração que é nossa casa! Poema no IV domingo da Quaresma




Na lógica de Deus
Não há espaço só para a razão...
É uma lógica irracional
Que só Jesus torna especial...
É a lógica do amor e da compaixão,
Da ternura e da bondade de Deus.

Quantas vezes não somos como o filho novo?
Não quer ser mais o filho dependente
E pede a herança e mata o pai, imprudente,
Para partir em total liberdade e autonomia
À procura da sua alegria sem a encontrar.

Quantas vezes não sabemos nem cuidar
Do amor que de Deus nos é dado?

E quantas vezes somos como o filho mais velho?
Não saindo de casa e sempre cumpridor
Olha o Pai não como Pai
Mas como patrão, como dono e senhor...

E assim vemos
que tanto nos perdemos em casa
como fora dela...

A história por Jesus contada
Fique sempre no nosso coração guardada:
Depois de errar
É preciso ter coragem de voltar...
É preciso deixar o passado de lado
E no perdão e na misericórdia de Deus confiar.

Queiras tu, se necessário, a casa regressar
ou, senão saíste, queiras lá continuar...
Olha que o coração de Deus Pai
É sempre a nossa melhor casa!



Pe. JAC

2 de março de 2013

Camponês paciente. Poema no III domingo da Quaresma




Deus camponês, agricultor paciente,
hortelão da vinha e da vida cuidador
para produzirmos frutos e darmos flor
em Ti encontramos a melhor semente.

Eis o tempo de reconhecer com humildade,
de coração aberto e inteira confiança:
em nós temos o que é preciso para a mudança
assumindo em nossa vida a Tua verdade.

Somos figueira na vinha do Senhor
que paciente espera o nosso fruto
vivendo cada dia a conversão...

Em nós corra sempre a seiva do amor
para brotar, a seu tempo, flor e fruto,
quando de Deus for inteiro nosso coração.


Pe. JAC

A poesia transcende o poeta. (Palavras na apresentação do meu segundo livro de poesia)




Em abono da verdade devo confessar que nunca foi meu profundo desejo ou condição para ser feliz e me sentir realizado publicar livros... Felizmente(!) não sou escritor a viver daquilo que escreve; arriscar-me-ia a morrer à fome...
Mas, e porque a felicidade é condição necessária a um viver intensamente sentido, e porque a (in)satisfação é também condição necessária para continuar cada dia a querer ser mais e mais feliz, arrisco-me, não a morrer à fome com o que escrevo, mas a tentar, com a transcendência da poesia, saciar a fome de Palavra(s) que ajudem, nem que seja só mais um coração de um irmão, a sentir a beleza e a proximidade de Deus.
E é nesta gestão, não conflituosa, que surgem os meus dois livros, um em 2006, e este agora em vossas mãos.
São livros de poemas compendiados porque eu não me sinto capaz de escrever um livro de poesia com princípio, meio e fim...
Atrevo-me apenas e só e disponho-me a escrever poemas avulso... Isso gosto de fazer! Sinto que cada poema é, em si mesmo, uma obra completa, capaz de dizer estados de alma nas linhas e, talvez, muito mais, nas entrelinhas.
Entrelinhas que cada olhar vê diferente... e que por isso não podem e não devem ficar fechadas numa gaveta, longe de novos olhares, de outras entrelinhas e de mais entrelaçadas formas de sentir e (vi)ver Deus.
Não me considero verdadeiramente poeta... Sinto-me, quanto muito, fazedor de poemas, um contador de estados da minha alma na minha relação tensa comigo mesmo, com os outros e com Deus.
Mas revejo-me em algumas palavras poéticas e sábias e bem conhecidas e cantadas até, de Florbela Espanca, em "Ser poeta".

Ser Poeta

Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Aquém e de Além Dor!

É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!

É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e cetim…
É condensar o mundo num só grito!

E é amar-te, assim, perdidamente…
É seres alma e sangue e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!

(Florbela Espanca, «Charneca em Flor», in «Poesia Completa»)


Para mim, se ser poeta "é ser mendigo", no sentido de buscador, então sou poeta...
Se ser poeta "é ter cá dentro um astro que flameja", então sou poeta...
Se ser poeta "é ter fome, é ter sede de infinito", então sou poeta...
Tolentino de Mendonça, padre e poeta, diz que a poesia é a arte de resistir ao seu tempo. O poeta será, assim, um guerreiro e a poesia o seu castelo e a sua fortaleza. Para mim, escrever poemas é, em primeiríssimo lugar, um modo de dialogar e um modo de rezar. Rezo quando escrevo e escrevo ao rezar...

Vem de longe o gosto por escrever poemas, como vem de longe o gosto por rezar, educado que fui, desde pequeno, entre as mãos ásperas, mas sempre levantadas da minha avó.
Não me perguntem qual foi o primeiro poema que escrevi... Não faço a mínima ideia. Lembro-me, na escola primária e preparatória, de guardar religiosamente um caderno com rimas e versos de amor...
O gosto de escrever poemas (chamo tantas vezes devaneios) aguçou-se no tempo de seminário.
Mas, em mim, o gosto pela poesia nasce, também e muito, da leitura de poesia. Leio muita e variada. E com o tempo e com a leitura fui aprendendo que o poema transcende sempre aquele que o escreve e o escrito deixa de ser seu (do autor), para ser de quem o lê (leitor). Por isso, também me sinto fazedor de poemas porque tantos poetas me dão poemas para ler...
Foi assim que fui dando conta que os poemas que escrevia me fugiam da mão (sem nunca fugirem de mim) como areia fina por entre os dedos, sempre que os tirava da gaveta e os dava à mão de um amigo ou amiga... O poema exige a si mesmo que se dê a conhecer.

Em 2006, a terminar o curso de teologia, recebo o convite da junta de freguesia da minha terra Natal, S. Torcato, para publicar um livro de poemas que fosse comemorativo da elevação da "minha aldeia" a vila. Acedi, convencido que estava de que os poemas não são meus poemas, mas são poemas-para-os-outros. Assim se publicou o primeiro livro "Meus Deus. Poesias de um seminarista", escritos e maturados ao longo do curso teológico, entre 2001 e 2006.

A mesma consciência, a de que os poemas não são meus, acrescida agora da necessidade da angariação de fundos para o novo órgão de tubos da Sé, levou-me, em sintonia com o companheiro de ministério sacerdotal, a ousar publicar este segundo livro de poesia.
Trata-se de um compêndio de 30 poemas, acompanhados de um pequeno comentário que mais não é do que tentativa de o leitor poder dialogar e confrontar a sua própria vida.
Estes poemas são pedaços de oração em circunstâncias diversas da minha vida nos quase dois anos de estive a trabalhar pastoralmente nas paróquias da unidade pastoral de Águeda, entre 2009 e 2011.
Nas vossas mãos os deposito porque são vossos!

Quero agradecer, por fim, a presença de todos nesta tarde. Em especial ao sr. Bispo a presença nesta sessão mas principalmente a atenção e a bondade das palavras que prefaciam este livro. Disse-lhe e agradeci-lhe dizendo que as suas palavras qualificam o livro e respondeu-me, sabia e fraternalmente, que o conteúdo do livro é que inspira as palavras do prefácio. Fico-lhe grato, próximo e sempre ao dispor no serviço e na missão.
Agradeço ao monsenhor João Gaspar a presença e a amizade. E agradeço-lhe tanta sabedoria discorrida e partilhada nos seus muitos livros e escritos.
Quero agradecer, mesmo não nomeando e respeitando a sua vontade, a quem me fez a revisão dos textos e, na bondade e sabedoria, me deu preciosas indicações que melhoraram o produto final.
Quero agradecer à Paulus Editora, na pessoa no Irmão Darlei, a abertura a esta publicação.
Agradeço ao P. Fausto e nele a toda a paróquia de Nossa Senhora da Glória na qual me sinto bem a servir e a procurar ser transparência do rosto de Deus.
Agradeço ao P. Paulo Cruz e ao Ricardo Toste a bela sonoridade nesta tarde solarenga e a tonalidade alegre que deram a esta familiar sessão de apresentação deste livro.
Agradecer a expressiva presença dos irmãos e irmãs consagrados e consagradas da nossa Diocese. Sabei que a vossa vida, acção e missão são para mim inspiração a escrever. Obrigado a vós, neste dia da apresentação do Senhor.
Agradeço por fim aos que já leram ou vão ler o livro. E, enquanto agradeço, também peço a vossa oração junta às minhas orações feitas, tantas vezes, em papel. Creio firmemente que todas chegam ao coração do bom Deus e se convertem para todos nós em benefício e graça. Obrigado a todos.



Pe. JAC

[A propósito da solenidade de Cristo Rei]

  “Talvez eu não me tenha explicado bem. Ou não entendestes.” Não penseis no futuro. No último dia já estará tudo decidido. Tudo se joga nes...